
O uso medicinal da cannabis tem ganhado cada vez mais visibilidade. Produtos à base de canabinoides, como o CBD (canabidiol) e o THC (tetra-hidrocanabinol), já são utilizados para epilepsia, dor crônica e esclerose múltipla.
Mas quando se trata de saúde mental, surge a dúvida: há espaço legítimo para a prescrição de canabinoides na psiquiatria? A resposta exige cautela — e conhecimento científico.
Neste artigo, vamos explorar o que se sabe até agora com base em evidências atualizadas.
Quem sou eu?

Sou o Dr. William Alves, médico psiquiatra formado pelo Hospital das Clínicas da UFMG.
Ao longo dos anos, tive a oportunidade de ajudar centenas de pessoas que sofrem com diversos transtornos psiquiátricos, incluindo TDAH, autismo, depressão refratária, esquizofrenia, bipolaridade, dependência química, a reencontrarem o equilíbrio e retomarem sua qualidade de vida.
Atualmente, sou mestrando em Neurociências Clínicas também pela UFMG, desenvolvendo pesquisas voltadas para a compreensão mais profunda do funcionamento do cérebro e seus impactos na saúde mental.
Também atuo como preceptor de Medicina, contribuindo com a formação de novos médicos e incentivando uma prática ética, humana e baseada em evidências.
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O que são canabinoides?

Canabinoides são compostos químicos que interagem com o sistema endocanabinoide, presente no cérebro e em outros órgãos. Os dois principais:
- THC (tetra-hidrocanabinol): psicoativo, está relacionado ao “barato” da maconha.
- CBD (canabidiol): não psicoativo, tem sido estudado por possíveis efeitos ansiolíticos, antipsicóticos e neuroprotetores.
Como atuam no cérebro?
O sistema endocanabinoide participa da regulação de processos como:
- Humor
- Sono
- Apetite
- Memória
- Estresse
- Dor
Esse sistema tem receptores específicos (CB1 e CB2). Os canabinoides externos se ligam a esses receptores, podendo gerar respostas variadas, dependendo do composto, da dose, do indivíduo e do transtorno em questão.

O que dizem as evidências em saúde mental?
Abaixo, uma visão geral do que se sabe até agora com base em revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados (RCTs):
Ansiedade social
- Estudos apontam que o CBD isolado, em doses únicas entre 300 e 600 mg, pode reduzir sintomas de ansiedade em situações sociais.
- Exemplo: estudo brasileiro (Crippa et al., 2019) com universitários em simulação de fala pública.
- Porém, os efeitos a longo prazo ainda são pouco estudados.
Nível de evidência: moderado
Uso fora de estudos clínicos não é amplamente recomendado.

Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
- Alguns estudos com a substância nabilona (canabinoide sintético) sugerem melhora no sono e redução de pesadelos.
- Contudo, são estudos pequenos, sem grupo placebo, com alto risco de viés.
Nível de evidência: baixo
Sem recomendação formal nas diretrizes.

Depressão
- Revisão da The Lancet Psychiatry (2019): não há evidência robusta de que CBD ou THC melhorem sintomas depressivos.
- Em alguns casos, o THC pode até piorar quadros depressivos ou levar à desmotivação.
Nível de evidência: muito baixo
Contraindicado como tratamento primário.

Esquizofrenia e transtornos psicóticos
- O THC pode desencadear ou agravar sintomas psicóticos, especialmente em pessoas vulneráveis.
- Em contrapartida, o CBD isolado foi testado em alguns RCTs como adjuvante ao antipsicótico (como a amisulprida), com resultados promissores:
- Redução modesta dos sintomas positivos e negativos.
- Melhor tolerabilidade.
Nível de evidência: moderado
Ainda não recomendado em diretrizes. Indicado apenas em contextos experimentais.

Transtorno do espectro autista (TEA)
- Estudos com CBD em crianças com TEA mostram melhora leve a moderada em:
- Irritabilidade
- Insônia
- Crises de agressividade
- Meta-análise recente (2024) apontou efeito modesto (g ≈ 0,31), com limitações metodológicas.
Nível de evidência: moderado
Pode ser considerado em casos graves e refratários.

Tabela-resumo de algumas das evidências atuais
| Transtorno | Evidência atual | Nível de confiança | Observações |
|---|---|---|---|
| Ansiedade social | Efeito positivo com CBD isolado | Moderado | Estudos pequenos, sem longo prazo |
| Transtorno de estresse (TEPT) | Efeito pontual com nabilona | Baixo | Dados escassos |
| Depressão | Sem benefício com CBD ou THC | Muito baixo | THC pode agravar |
| Esquizofrenia | CBD como adjuvante promissor | Moderado | Ainda sem diretriz oficial |
| Autismo (infantil) | CBD com melhora leve a moderada | Moderado | Pode ser opção em casos específicos |
Riscos e efeitos adversos
CBD
- Em geral, é bem tolerado.
- Efeitos colaterais incluem: sonolência, diarreia, alterações no apetite.
THC
- Pode causar:
- Ansiedade
- Confusão mental
- Déficits cognitivos
- Psicose transitória
- Dependência
O risco é ainda maior em adolescentes, gestantes e pessoas com histórico familiar de transtornos psicóticos.

Devemos sempre priorizar o que já tem eficácia comprovada
Na prática clínica, é fundamental lembrar de um princípio básico da medicina baseada em evidências: devemos dar preferência àquilo que já demonstrou segurança e eficácia em estudos bem conduzidos.
Por mais promissor que um composto pareça, ele não deve ocupar o lugar de tratamentos validados, como antidepressivos, antipsicóticos ou abordagens psicoterapêuticas que contam com décadas de estudos e diretrizes internacionais que respaldam seu uso.
A empolgação com os canabinoides não pode nos fazer esquecer que:
- Muitos dos estudos disponíveis têm limitações metodológicas.
- As amostras são pequenas.
- Falta padronização de doses, formulações e desfechos.
- Os resultados são, muitas vezes, modestos quando comparados a tratamentos tradicionais.
Além disso, o uso de substâncias com ação no sistema nervoso central — especialmente aquelas que interagem com o sistema endocanabinoide — exige cautela redobrada em populações vulneráveis como adolescentes, gestantes, idosos e pessoas com histórico de transtornos psicóticos.
Por isso, o uso de canabinoides na psiquiatria, quando considerado, deve ser complementar, e nunca substitutivo, a intervenções que já se provaram eficazes.

O que dizem as diretrizes?
- APA (American Psychiatric Association): contraindica o uso recreativo e não endossa o uso medicinal fora de estudos clínicos.
- NICE (Reino Unido): recomenda restrição para casos neurológicos (epilepsia, esclerose múltipla).
- Cochrane Review: a qualidade das evidências é baixa, com viés alto nos estudos existentes.
Como está a regulamentação no Brasil?
A Anvisa permite a importação e prescrição de produtos com CBD mediante laudo médico e receita.
Já há medicamentos com CBD isolado registrados no país, mas com custo ainda bastante elevado.
Produtos com THC são proibidos para uso psiquiátrico.
Quando PODE ser considerado o uso de canabidiol?

Situações específicas:
- TEA com grave prejuízo funcional
- Ansiedade social refratária
- Esquizofrenia com sintomas residuais e refratários
Nunca considerar em:
- Quadros depressivos
- Psicose aguda
- Jovens com risco genético de esquizofrenia
- Como substituto de tratamentos com eficácia já comprovada
Como seu médico deve lhe orientar sobre o uso de canabinoides?
- Explique os limites da ciência.
- Alinhe expectativas: não é “cura”.
- Alerte sobre riscos, principalmente com THC.
- Documente claramente as indicações, acompanhamento e escala de resposta.
- Avalie resposta objetiva, descontinuidade e eventos adversos.

Conclusão: há espaço?
Sim — mas é um espaço estreito, específico e experimental.
A psiquiatria não pode ignorar os avanços no uso de canabinoides, mas também não pode se deixar levar pelo entusiasmo popular ou pelo marketing de produtos sem regulação.
CBD isolado pode ser útil em alguns contextos. THC, por outro lado, representa mais riscos do que benefícios em saúde mental.
Quer conversar sobre isso?
Se você ou alguém da sua família está em busca de alternativas e quer discutir o uso medicinal de forma segura, com responsabilidade e base científica, agende uma consulta.
Dr. William Alves
Médico Psiquiatra CRMMG 80.238/RQE 65.644 – Hospital das Clínicas das UFMG
Mestrando em Neurociências UFMG
Atendimento humanizado presencial, em Belo Horizonte, e via Telemedicina para todo o Brasil e exterior!
Referências
- Crippa, J. A. S., et al. (2019). Oral CBD treatment reduces anxiety in patients with social anxiety disorder. Journal of Psychopharmacology. https://doi.org/10.1177/0269881119849831
- Black, N., Stockings, E., Campbell, G., et al. (2019). Cannabis, cannabinoids and cannabis-based medicines for pain management: a systematic review of clinical effectiveness and guidelines. BMJ Open. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2019-032222
- Walsh, Z., Gonzalez, R., Crosby, K., et al. (2017). Medical cannabis and mental health: A guided systematic review. Clinical Psychology Review, 51, 15–29. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2016.10.002
- Bhattacharyya, S., et al. (2018). Cannabidiol as a potential treatment for psychosis. Schizophrenia Bulletin, 44(4), 751–757. https://doi.org/10.1093/schbul/sby045
- Kucerova, J., Tabiova, K., Drago, F., Micale, V. (2014). Cannabinoids and schizophrenia: Therapeutic potential and limitations. Neuropsychiatric Disease and Treatment, 10, 1667–1679. https://doi.org/10.2147/NDT.S58057
- Barchel, D., et al. (2019). Oral cannabidiol use in children with autism spectrum disorder to treat related symptoms and comorbidities. Frontiers in Pharmacology, 9, 1521. https://doi.org/10.3389/fphar.2018.01521
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). (2019). Cannabis-based medicinal products: Evidence review and recommendations. NICE Guideline NG144. https://www.nice.org.uk/guidance/ng144
- American Psychiatric Association (APA). (2020). Position statement on the use of cannabis for medical conditions. https://www.psychiatry.org
- Cochrane Database of Systematic Reviews. (2023). Cannabis-based medicines for chronic neuropathic pain in adults. https://doi.org/10.1002/14651858.CD012182.pub3
- Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. (2024). Produtos à base de cannabis: regulamentação, prescrição e importação. https://www.gov.br/anvisa
Leia também:
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/controlados/cannabis